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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Nós somos o Problema! - Mudança de Vida

Clínicas de recuperação Álcool e drogas
Por Nelson Farias
A mudança não pode ser uma continuidade modificada; um remendo; um quebra galho. Estes expedientes são meros paliativos e não nos recupera do sofrimento mental e emocional.
É muito fácil criar, aleatoriamente, padrões de comportamentos, o difícil é pensar em profundidade nos conflitos emocionais que vão aflorando e perceber com clareza o problema deles decorrentes. Na maioria das vezes, ficamos obsessivamente concentrados na busca de sua solução, e não no problema em si, ou seja, ficamos buscando respostas, sem nos concentrarmos, realmente, no cerne da questão que nos aflige. É da mais alta importância compreender o processo psicológico envolvido no problema. No momento, perceber as emoções que estão se manifestando, é muito mais importante do que preocupação com o problema que está em curso e que costuma ser de certa complexidade, faremos nascer à solução. O que nos cabe fazer é estudar de forma inteligente e sabiamente o processo, e perceber as suas causas, que, sem dúvida nenhuma, não estão nas circunstâncias exteriores, mas em nós mesmos e promover a mudança condizente. De uma maneira geral o problema, como foi dito, somos nós mesmos.
A grande dificuldade, no caso, é que ninguém nos pode ajudar a compreender o que se passa conosco há não ser nós mesmos. O problema não existe independente do processo individual que lhe deu origem.  Esta é a primeira verdade que se deve compreender. Em decorrência cabe-nos promover uma radical transformação de antigos conceitos e trocar de hábitos individuais obsoletos.
Quando há verdadeira intenção de nos conhecermos como, realmente somos, evidentemente, o conhecimento e as experiências alheias nada representam para seu caso específico e às suas tendências negativas, necessito saber o que sou, e não o que os outros são, ou acham que eu deveria ser. Um “eu” hipotético fruto de racionalizações nada representam. Temos que nos estudar a nós mesmos, independentemente, das opiniões alheias, por melhores que sejam.  Só assim estreamos em condições de analisar, todo processo de cada pensamento e de cada emoção presentes em nós, assim começar a compreendê-los. Para verificar se sou algo mais do que um simples produto de influências ambientais, preciso primeiramente, liberta-me das influências que me rodeiam. Se a mente está absorvida pelas influências externas, ela não pode ir além; não pode perceber ou descobrir suas riquezas internas. Só podemos perceber a verdade da vida, desvencilhando-nos dos preconceitos, crenças, ou de outras ideias preconcebidas. Espera-se que todos percebamos o alcance e a importância desta verdade.
Ninguém tem acesso à sua compreensão através de outrem; porque a compreensão; a verdade referente a qualquer questão, só pode ser investigada examinada e sentida pela própria pessoa. Cada qual tem de examiná-la, com muita atenção, por si mesmo. Não se trata do caso de simplesmente aceitá-la ou rejeitá-la, mas de examiná-la em profundidade e isso requer muita energia, compreensão e amor.
Energia é força organizada, equilibrada, e poucas pessoas se esforçam em desenvolvê-la. Não é fácil aceitar essa realidade. Precisamos desenvolver tal energia que transformará as estruturas do nosso viver, pensar e sentir.
E, para nos beneficiarmos dessa energia, temos de nos conscientizar da inércia à qual tão ocultamente todos nós nos entregamos, ou seja, da falta de energia intrínseca, inerente a todo ser humano. Não estamos nos referindo à preguiça e sim à inércia em que mergulhamos, quando nossa mente está embolada e ficamos remoendo pensamentos negativos, isto é, referimos-nos a falta de energia para atuar, tão profunda e sutilmente oculta em nós, a inércia, resultante do acúmulo de ações não realizadas.
Adquirir uma técnica pessoal para frustrar tal processo doentio requer tempo e dedicação e muito amor à vida, a uma vida prazerosa e que vale apena se vivida, apesar de todas as dificuldades a ela inerentes e, sobretudo, devido a essas próprias dificuldades que passarão a funcionar como molas propulsoras de nosso dinamismo adormecido. Requer, também, tentativas experimentais, constantes, no sentido de se tentar desobstruir a mente de seus conflitos para se perceber o desenrolar de todo o processo. É de vital importância livrarmo-nos do medo e da insegurança, já que estes favorecem a inércia, mesmo que aparentemente nos mostremos razoavelmente ativos. Isto se passa com todos nós a toda hora. Todo o nosso pensar medroso estimula a inércia. Trata-se de um processo psicológico de que nos podemos dar conta a todo o momento.
Que fazer? Como podemos vencer a inércia? Em primeiro lugar, temos que estar conscientes dela. Não basta racionalizarmos esse fato, pois isso em nada nos ajudará. Ao perceber esse estado a mente poderá passar a um novo esquema através de conceitos, conhecimentos próprios e de novas informações adquiridas por experiências próprias. Essa nova visão constitui uma tomada de consciência para a ação. Meditemos pacientemente esse processo e deixemos fluir a solução projetada por nossa mente da qual participam naturalmente, o cérebro e, também, o corpo. Nesse contexto a mente mantém-se serena e silenciosa. Trata-se de um novo estado de consciência, em que não há sombras de dúvidas; em que tudo fica claro e evidente (clarividência). Desse processo nasce uma ação, totalmente diferente e livre de conflitos, confusões, perturbações... Funcionando agora no mundo do conhecido, a mente passa com que por uma mutação. Nasce uma nova mente. Este processo não é assim fantasticamente difícil como parece ser, basta que abandonemos as velhas ideias; os velhos hábitos doentios. Ao despertar-se para a clarividência, ocorre, pois, uma ação totalmente diversa da elaboração antiga. A mente torna-se vigorosa, fecunda, jovem, forte e sadia.
Quem quer que deseje descobrir uma vida nova, uma nova maneira de viver, deve investigar, pesquisar, aprender esse poder de renascer, que torna a mente sobremodo alerta sem pontos obscuros e sem compulsões doentias. Desabrochar-se uma ação inerente à própria pessoa: Energia Espiritual. A partir de então, a vida, o viver de cada dia, provém dessa Energia e não da inércia. Essa é uma mutação que qualquer pessoa pode alcançar. De outra forma prosseguirá numa existência sem outro significado, que não seja o sofrimento, aflição, o descontrole e a infelicidade. 
  

2 comentários:

  1. Eu, diria que todo Ser racional neste universo possui o direito de pensar, sentir, agir, falar, de se ferir e se curar! Essas responsabilidades são essencialmente de cada um e intransferíveis... graças ao nosso Bom Deus. São oportunidades previstas pela mecânica universal e divina! Bem-Aventurados os Aflitos, companheiros de AaZ!!!

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  2. O desânimo é um erro: Deus vos recusa consolações se vos falta coragem. A prece é um sustentáculo para a alma, mas não é suficiente, é preciso que ela seja apoiada sobre uma fé viva na vontade de Deus.
    — Mas como reconhecer a vontade de Deus?
    Vou deixar uma única dica pra iniciar o processo de reconhecimento desta vontade: Honestidade. (3º Passo)
    — Como?
    — Eh isso aí meu irmão, seja honesto!

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Sejam todos bem-vindos com suas colaborações de qualquer natureza, excetuando tudo que infrinja as regras do bem proceder. Lembramos sempre que nenhum dos seus membros fala "em nome de" A.A., mas, no máximo, "de" A.A. As opiniões dos alcoólicos recuperados baseiam-se sempre na propriedade de suas experiências pessoais.