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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O Grupo de A.A., é onde tudo começa e termina! Reuniões-Debates, já!


General Service Conference held in New York City in April, 1965 

Este tipo ou modalidade de reunião consta como primeira sugestão do livreto “O Grupo de A.A.... Onde tudo começa”. Para nossas reuniões nos grupos, o livreto afirma sendo essa a modalidade mais comum, por mais incrível que possa parecer!

As nossas vêm se dando da seguinte maneira: utilizamos o livro Alcoólicos Anônimos (o Livro Grande, nosso texto básico) na identificação de nossas próprias histórias com as experiências e afirmativas do livro. Essa reunião acontece toda sexta-feira, às 19h00. Nas quartas-feiras no mesmo horário, os debates se dão a partir do estudo das doze tradições de A.A. Nessa reunião, tentamos consolidar o entendimento e o aprofundamento das ideias sugeridas de como nos relacionar em grupo ou fora dele. Inclusive, esse estudo já nos trouxe alguns resultados positivos em nossa consciência coletiva, tais como; a extinção dos rituais de ingresso para novos membros, a necessidade do anonimato em nossas intenções e ações; a formação de um Comitê Trabalhando com Outros (equipe) no grupo; maior compreensão dos nossos direitos e responsabilidades, e muito mais...

Quanto à reunião das segundas-feiras, também às 19h00, é dedicada ao método sugerido a todo e qualquer candidato à recuperação: os Doze Passos. Aqui esmiuçamos ideias, intenções, comportamentos, esclarecimentos e experiências, como proceder na materialização em nossas vidas a proposta de recuperação de A.A. Desmistificando a impossibilidade de sua prática ou a falsa ideia de que seja algo só para santos, e sim um método para indivíduos desejosos por maturidade e consciência, através de muito esforço e trabalho pessoal.

A regularidade dessas reuniões verifica-se a princípio o poder atrativo e contagiante da modalidade e dos nossos textos. Elas têm um caráter muito próximo ao nosso, anárquico e informal, porém sério e responsável, a verdadeira liberdade que Alcoólicos Anônimos nos propõem. Para mim, é a velha utopia, aquela mesma verificada na cozinha de Bill W. com seu companheiro e amigo Ebby: uma Irmandade fraterna, consciente e madura.

Os novos tempos já foram anunciados por nosso co-fundador em 1955 e agora, só por agora, estão diante de nossas portas e nossas cabeças. O que fazer? Estarão as respostas dentro de nossos livros? Quando abriremos os nossos livros verdadeiramente? É apenas um dever? É por isso que o grupo vem viabilizando a 5ª Tradição também desta maneira. Procuramos ser cautelosos quanto às resistências, atuando pelo convencimento e persuasão de forma amorosa, tarefa bem difícil, mas necessária. Os mediadores dessas reuniões se fazem presentes, por dever ao serviço, como participantes nas reuniões dos outros mediadores. São presenças garantidas nas reuniões desta ordem, onde são lidos pequenos trechos dos textos, até que componham uma ideia. É aí que o mediador ou um dos participantes provoca o debate. A palavra é franca e livre o tempo todo, não nos opomos ao direito no uso da palavra, se um companheiro desejar falar do cachorro morto do vizinho, será ouvido com amor e respeito. Mas, logo em seguida retomamos o assunto que nos atrai àquela reunião.

Algumas vezes, uma única palavra inserida em nossos textos garante até duas horas de discussão. Não nos preocupamos com metas de conclusão e nem tempo previsto para cada um dos capítulos, tradições ou passos. É permitido, discordar, fomentar, divergir, esclarecer, perguntar, opinar, interromper, pegar um gancho... Na verdade, é um bate-papo em que às vezes os ânimos se exaltam, então novamente o mediador entra para intervir com bom senso e firmeza no rumo da prosa. Tentamos também evitar conversas paralelas nas reuniões, se alguém fala paralelamente o mediador conduz para que esse assunto ou comentário venha à roda de discussão, já que o formato na arrumação das cadeiras é o californiano, quero dizer, circular.

Não há espaço para melindres ou disputas de pontos de vistas pessoais, um bom entendimento, seguido de excelente argumento, sempre fundamentado em nossos textos, é sempre vencedor (empurramos a responsabilidade sempre para Bill W., foi ele que disse isso ou aquilo, não sou eu quem está dizendo, e sim o livro é quem está afirmando).  É assim que os textos passam a ter vida em nossas almas, trazendo consciência e liberdade.

De minha parte, estou convencido que essa é uma maneira franca, livre e honesta para se tratar as ideias de A.A. e de estimular nossa recuperação individual e coletiva, chega de meias verdades e de tratarmos os assuntos de A.A. na superficialidade, afinal, A.A. não é para os sadios, mas sim para os aflitos. Há um contingente de alcoólatras desejosos por uma saída e sabemos que há solução, façamos a nossa parte sem exigir nada de quem quer que seja. Nós de A.A. só temos a oferecer e isso é AMOR! Abracemos os nossos defeitos e causa, é assim que funciona.

A descrição acima não é um modelo, e sim a experiência de nosso grupo. E faço questão de deixar aqui um convite a todos para essas reuniões, já que são reuniões abertas. Sede todos muito bem-vindos!

Agradeço desde já oportunidade.
Mais vinte quatro horas.

Nossa Sociedade irá, portanto, ater-se prudentemente à sua única finalidade: transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Vamos resistir à presunçosa suposição de que, só porque Deus nos possibilitou sairmos nos bem em uma área de atuação, estaríamos destinados a ser um canal dispensador da graça salvadora para todo mundo. ” Bill W., co-fundador de A.A., 1955

Um comentário:

Sejam todos bem-vindos com suas colaborações de qualquer natureza, excetuando tudo que infrinja as regras do bem proceder. Lembramos sempre que nenhum dos seus membros fala "em nome de" A.A., mas, no máximo, "de" A.A. As opiniões dos alcoólicos recuperados baseiam-se sempre na propriedade de suas experiências pessoais.