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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Alcoólicos Anônimos são quase 75 anos no Brasil

Robô da Junaab Alcoólicos Anônimos

São quase 75 anos de experiências no Brasil. Infelizmente, não temos muito que comemorar, dada a pouca eficiência de nossa sociedade de alcoólicos recuperados que teimam em seguir seu caminho apartado de sua importante Obra. Aquela legada em nossos livros. Experiências escritas que fazem toda diferença na boa compreensão em tudo aquilo que envolve o alcoólico, o alcoolismo, a recuperação e toda nossa sociedade Alcoólicos recuperados.

Segundo Alcoólicos Anônimos, a doença do alcoolismo é determinada, no indivíduo, por meio da combinação: obsessão aliada a compulsão. Um fator psíquico combinado a outro, orgânico: nós, os alcoólicos, desenvolvemos um tipo de reação alérgica ao ingerirmos a substância álcool, e, a partir daí, correremos o "risco" de gerar a compulsão. Diferente daquilo que muito se pensa, quantidade e a qualidade das bebidas não são os fatores que determinam a doença do alcoolismo.
Esclarecemos que Alcoólicos Anônimos não é uma sociedade antialcoólica. Não combatemos o uso do álcool, mas sim, reabilitamos, única e exclusivamente, o alcoólico que sofre. Nossa política de relações públicas junto à sociedade é estritamente informativo. Fornecemos informações sobre os aspectos do alcoolismo, extraídas de nossas próprias experiências, a fim de possibilitar ao alcoólico que ignora o seu alcoolismo uma possível identificação. Além disso, oferecemos nossa solução para uma boa recuperação. A única prevenção que realizamos visa a evitar um maior comprometimento do indivíduo já alcoólico em relação à doença, a partir do esclarecimento acerca de dois dos seus principais aspectos: a inexistência de uma cura reconhecida que impeça a progressão da doença e restabeleça a condição de bebedor social, quero dizer, retroceder a tal condição moderada. Essa sim seria a cura.
É importante mencionarmos que o conceito de doença, trabalhado por Alcoólicos Anônimos desde 1935, somente foi reconhecido e adotado oficialmente, pela OMS, 29 anos após o registro em seu livro grande, intitulado "Alcoólicos Anônimos", de 1939. Isso denota o caráter vanguardista de A.A., que perdura, até os dias de hoje, em todo o planeta.
É preciso dizer que, infelizmente, a maioria esmagadora de nossos membros desconhece em detalhes, ou não são capazes de descrever com total clareza, que Alcoólicos Anônimos possui um método para reabilitação da doença do alcoolismo, contido em seu programa de Recuperação, nossos Doze Passos. Método este cedido à diversas sociedades paralelas para cuidar de inúmeros transtornos ocasionados pelas neuroses do ego. Um método lógico, racional e revolucionário, que ainda insiste em permanecer na ponta, como solução definitiva para cuidar dos alcoólicos em convalescência, apesar dos seus 88 anos de existência. Lembramos sempre que nenhum dos seus membros fala "em nome de" A.A., mas, no máximo, "de" A.A.
As opiniões dos alcoólicos recuperados baseiam-se sempre na propriedade de suas experiências pessoais. Nossas experiências afirmam que precisamos encontrar uma nova maneira de viver, resultante do método para o alcance e manutenção da nossa sobriedade.
Uma VIDA que realmente nos agrada....

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

CTO de Alcoólicos Anônimos, lancemos as iscas somente!

Alcoólicos Anônimos e sua política de relações públicas

ROTEIRO SUGERIDO PARA ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NOS TRABALHOS DA CIP


1 - Devemos, antes de tudo, nos colocar no lugar dos receptadores. Quero dizer, temos que ter a sensível medida de suas condições de ouvintes, leigos ou não, que em sua grande maioria desconhece por completo todo o conteúdo informativo que abordaremos na ocasião da CIP. Além do mais, temos que obstruir por meio de informações claras as barreiras naturais que se opõem ao propósito único dos nossos trabalhos, quais sejam: pré-conceitos, estigma, negação, desconhecimento, vergonha, equívocos, ironia.

2 - É necessário ganhar a confiança e a solicitude dos interessados logo no início do trabalho. Pensem: alguns desses ouvintes estão curiosos; muitos outros nos assistem contrariados ou com má vontade; e há os que estão ali de bom grado, esses já estão do nosso lado.

2.1 - Devemos nos apresentar com humildade, confiança e como alcoólicos RECUPERADOS ou como EX-BEBEDORES PROBLEMA. Não podemos oferecer dúvidas quanto a isso. Afirmar que há dez anos não bebemos e apesar de todo esse tempo continuamos em recuperação é, no mínimo, incoerente, contraditório e pavoroso. Não podemos deixar brechas desnecessárias para indagações e mais resistências.

IMPORTANTE: Diferenciarmos o apropriado no comportamento e nos objetivos das informações nas situações das comissões, diferentemente daquilo que se estabelece no espaço de um grupo diariamente. Vale a pena ressaltar que o caráter de todo e qualquer trabalho das comissões deverá sempre limitar-se ao informativo, evitando as intenções de caráter educativo ou preventivo. Nosso EIXO norteador de todo escopo deste roteiro é o papel estritamente informativo.

2.2 - É preciso dizer-lhes que estamos ali para solicitar sua ajuda e compreensão diante do nosso papel informativo e de relações públicas. Devemos confirmar que os integrantes da equipe não possuem qualquer qualidade oratória, que não somos profissionais, que estamos ali nos expondo por dever e responsabilidade quanto ao fornecimento ao maior número possível de interessados as mesmas informações que nos fizeram parar de beber. Que desejamos, na verdade, convencê-los a se tornarem potências difusoras de nossa mensagem ao alcoólico que ainda sofre. A única razão de nossa existência.

O 1° aspecto de nossas intenções: Alcançar o Alcoólico Indiretamente.

3 - Toda condução dos trabalhos deve ter como objetivo atingir nosso alvo, o alcoólico que ainda sofre, INDIRETAMENTE. Isso deve ficar bem estabelecido logo no início, pois não estamos ali para constranger ninguém. Nossa preocupação é abastecer os ouvintes com informações práticas que estejam ao alcance de todos; informações que os identifiquem com o provável alcoólico de suas relações. Comecemos afirmando que todos os presentes são conhecedores de alguém em suas famílias, no ambiente de trabalho, na vizinhança, ou quem sabe entre seus amigos, num grau distante ou próximo, que carregaram ou ainda carregam o drama do alcoolismo em suas vidas. Agindo assim, faremos se sentirem também um pouco responsáveis e cooperativos.

4 - "Garanto aos senhores e senhoras..." A atenção será obtida a partir daí. Cabe a nós, então, mantê-los interessados até o final dos trabalhos. Não precisamos repetir mecanicamente preâmbulo algum. Todo o preâmbulo será conferido junto ao escopo informativo do trabalho. Há alguns pontos do preâmbulo que só fazem sentido para nós, membros familiarizados. São esses pontos que devemos abordar o mais claramente possível, explicando as razões e os porquês.

5 - Preparado o terreno a partir da apresentação dos seus integrantes e a confirmação do caráter de nosso trabalho junto a eles, começamos a efetivar o conteúdo informativo.

5.1 - Iniciamos afirmando que Alcoólicos Anônimos é para todos. Não queremos que ninguém fique de fora dos nossos quadros de membros. Temos todas as amostras de nossa sociedade: culturas e raças diferentes; orientações sexuais diversas; homens e mulheres de poder e força; pessoas obscuras e anônimas; apenados e santos padres; agnósticos, religiosos e ateus; os intelectuais estão com a gente e os iletrados também. Enfim, todos os humanos! Até mesmo eu, pois a doença do alcoolismo é imparcial e democrática. Também é necessário esclarecer que não há taxas e nem mensalidades; que somos AUTOSSUSTENTÁVEIS através de nossas próprias contribuições voluntárias; que Alcoólicos Anônimos é inteiramente de graça!

5.2 - Já que afirmamos que o alcoolismo é uma doença, devemos dizer que como tal está catalogada pela OMS. É igualmente relevante abordarmos a origem de Alcoólicos Anônimos, informando que foi criado em 1935, nos Estados Unidos, durante a Grande Depressão, no pós-guerra, a partir da necessidade de dois homens desesperados pelo alcoolismo encontrar uma solução para suas condições aflitivas. Também é importante mencionar que, passados quatro anos desse primeiro encontro, foi lançado o livro Alcoólicos Anônimos, o qual fez surgir diversos grupos em todo território americano e, mais tarde, fora dele.

5.3 - Temos que ressaltar que, segundo Alcoólicos Anônimos, a doença do alcoolismo se manifesta no indivíduo a partir de uma combinação explosiva: a obsessão pelo beber aliada à compulsão orgânica. Esses dois fatores, somados, determinam a ocorrência da doença. Devemos esmiuçar, com ilustrações próprias, sucintas e evitando ao máximo qualquer ação sensibilizatória, como essa doença se manifestava em nossas vidas; elevar os nossos fundos de poço até o nível que os atinja, sem, no entanto, ir tão fundo. Devemos mencionar os aspectos da doença e afirmar que não há cura, mas sim, recuperação, pois caso houvesse cura, poderíamos apreciar qualquer bebida sem a perda do controle, isto é, o fator orgânico não seria mais acionado. É ainda necessário informar sobre o aspecto progressivo e primário da doença, aspecto diferenciador entre o alcoólico moderado e o desesperado, determinante para sua estória de vida cheia de riscos.

5.4 - É importante relatarmos as características comportamentais desse sujeito alcoólico: o quanto se ressente ao ser criticado ou aconselhado pela sua maneira de beber; o desejo que possui de controlar o uso do álcool, o que intensifica o fator obsessivo; a insistência em negar sua condição de alcoólico, comprometendo cada vez mais sua saúde; os riscos provocados pelo descontrole; as justificativas e racionalizações que cria para continuar bebendo; o quanto aborrece seus familiares pela sua maneira de beber.

O 2° aspecto de nossas intenções: Uma Olhar Compreensivo.

6 - Devemos apresentar uma VISÃO COMPREENSIVA do ser humano enfermo, estigmatizado e incompreendido. Estimular um olhar que toda sociedade deveria possuir para o bom entendimento do que se passa com esse indivíduo, a fim de ajudá-lo. Existem momentos mais adequados para tratar do assunto com o alcoólico que sofre? Sim, o momento em que ele busca o isolamento empurrado pelo remorso ocasionado pela última bebedeira. Em muitos casos, esse é o momento mais indicado. Vejamos: esse momento é delicado e íntimo. Somente alguém muito confiável pode assumir esse papel (cônjuges, filhos, pais e amigos, a princípio). Devemos também levar em consideração que tal oportunidade pode levar meses para ocorrer, e que o interessado em ajudar o alcoólico deve ser paciente e amoroso, devendo evitar discussões ou críticas. É necessário recomendar essa pessoa de confiança ao Ala-Anon para que se familiarize com toda a problemática.

6.1 - É necessário enfatizar que ninguém nesse mundo é capaz de mudar o alcoólico. Tal atitude é responsabilidade do próprio e é intransferível. Nós que estamos de fora só conseguiremos acender seu desejo de recuperação e apoiá-lo nessa trajetória. É preciso confirmar que o sujeito não tem culpa por ter se tornado alcoólico, mas que possui, sim, responsabilidades pelo fato ter ocorrido com ele. Ninguém deseja tornar-se doente por mais que tenha contribuído para isso. O mesmo ocorre com um hipertenso ou diabético: um exagera no sal e o outro no açúcar, mas nenhum deles desejou que isso os tornar-se um problema.

7 - Por que encaminhar o indivíduo adoecido a um grupo de Alcoólicos Anônimos? O que o grupo oferece que nós outros não conseguimos? Vamos tentar responder a essas indagações extraindo o que há de mais comum em nossas reuniões e nos aproximando o máximo possível do ideal. Temos que vender o melhor peixe! A meu ver, o que atrai realmente o indivíduo para junto de nós é a sensação de pertencer. Seu instinto social, até o momento em total desordem, começa a ser preenchido. A lacuna da solidão e do isolamento vai deixando de existir, fornecendo-lhe segurança, autoestima e esperança. Acredito que todo o resto das virtudes que um grupo possui só colabora para que essa sensação de pertencimento seja fortalecida cada vez mais. Vamos a elas: a afinidade quanto ao propósito; a identificação pelos sentimentos; a compreensão pelas semelhantes experiências; a segurança do anonimato; um ambiente fraterno e propício à recuperação; um lugar livre de julgamentos ou condenações; a liberdade de escolha. Não há imposições e, sim, recomendações. Na verdade, um genuíno movimento de compaixão é o que nos move. A transmissão integral é estabelecida dessa forma, e, só acontece no grupo.

Enfim, esses são os elementos que me vieram à cabeça nesse momento em que escrevo. É importante não romantizar muito, sob o risco de o discurso parecer uma farsa. Sejamos honestos: entre o ideal e o real há uma grande distância. O peixe talvez seja o melhor, mas não é tão grande!

8 - Devemos demonstrar de forma sintética o (programa), nosso método de recuperação. Nunca devemos esmiuçar o passo a passo dos 12 passos. É importante darmos relevo aos princípios espirituais, à necessidade de combater o egoísmo com atitudes positivas, à relevância da aquisição de novos valores e ao exercício de novos hábitos como, por exemplo, o inventário de si mesmo (autoexame). Lembremo-nos: em relação aos 12 passos, não temos meios de abordá-lo. Essa é uma atribuição somente dos grupos e não da *CIP. Quem seguir por esse caminho correrá riscos devido à subjetividade do programa.

9 - Devemos abolir a discussão sobre teorias teológicas ou despertares espirituais. Recordemos que não somos nem seita nem religião, e abraçamos os adeptos de todos os credos e também os que não possuem credo algum. Lembremos que respeitamos todos os pontos de vista, mas que, certamente, nas reuniões de A.A. todos ouvirão falar em Deus ou em um Poder Superior, conforme qualquer um desejar e se desejar!

10 - Devemos apresentar sucintamente o funcionamento de nossa irmandade (sociedade) em todo o mundo, sob os dois legados - UNIDADE e SERVIÇO - e sua aceitação em diversas culturas e línguas. É importante mencionar a forma de obter nossas obras literárias, fornecer nossos dados de contato e informar sobre tudo o que possa ser útil ao atendimento do pedido de ajuda de todo e qualquer candidato à recuperação.

11 - A exposição deve ser finalizada com um último agradecimento, colocando-nos à disposição para responder às questões formuladas pelos ouvintes e esclarecer tudo o que seja possível. Caso sejam solicitadas informações que não possamos atender nesse momento, é importante responder de forma verdadeira. Quanto às indagações teológicas e científicas, o melhor é nos abstermos. Esse mérito não é nosso! Afirmemos que não temos meios para responder a essas questões e que deixaremos o contato de alguém capacitado para fazê-lo.

Não há bicho de sete cabeças algum! Todos com um mínimo de boa vontade poderão fazer esse papel com total qualidade. Não precisamos ser experts ou doutores para relatar de forma bastante natural e verdadeira o que se passa conosco. E façamos isso com as nossas palavras. Lancemos as iscas somente! Lembremos de tratar esse modesto material como um roteiro sugerido e facilitador. Certamente, existem ou existirão outros roteiros com o mesmo intuito de facilitar o acesso de todos à produção dos trabalhos de *CTO, contribuindo para a ampliação das tarefas e a abrangência da mensagem, resultando, quem sabe, numa maior eficiência dos trabalhos. Mas isso, somente o tempo e o nosso bom Deus poderão confirmar.

*Comitê Trabalhando com Outros
*Comissão de Informação Pública

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CTO pelos caminhos do Livro Grande de Alcoólicos Anônimos.

             
A história inicial de Alcoólicos Anônimos no Mundo, aa.org.br

Através deste texto tentarei compartilhar minhas próprias reflexões sobre as lições legadas através do nosso Livro Grande, carinhosamente conhecido no Brasil por Livro Azul, o qual costumo chamar de “Um Soco no Estômago”.

                Intencionado pela extração máxima das experiências e informações ali contidas, sigo em luta pelo estudo sério, por motivos óbvios, desta poderosa fonte de riquezas, donde todos nós, A.As., deverão um dia saciar nossa sede por recuperação e pela manutenção de toda uma sociedade mundial de alcoólicos recuperados, e por meio deste estado feliz e de utilidade, zelar pela proteção de toda uma unidade que tem como única razão de existir a transmissão da mensagem ao alcoólico que ainda sofre, o que seguramente compreende ao Comitê Trabalhando com Outros – CTO, o serviço de relações públicas de Alcoólicos Anônimos, a resposta mais adequada e responsável para a compreensão e aproximação com o mundo.
O sucesso ascendente verificado desde a publicação da primeira edição deste Livro Grande, Alcoólicos Anônimos, em 1939 – do qual nossa Irmandade extraiu seu nome –, consolidou o objetivo de difundir fecundamente seus princípios de recuperação, nossa solução contra a doença do alcoolismo.
                Bem, começarei a desenvolver o nosso estudo a partir do entendimento rápido e conceitual das duas únicas forças humanas em A.A., como, quando, e onde se equilibram: o Poder Tradicional (membros comuns, representantes de serviços gerais até seus delegados); e o Poder Legal (custódios pela Junta de Serviços Gerais, diretores e funcionários, Comitês, Publicações etc).
                Sabemos que a essência do Poder Tradicional é constituída pelos grupos de A.As. espalhados por todo o mundo. Atualmente, supõe-se que em cerca de 200 países as Doze Tradições serão mantidas e protegidas pelos membros conscienciosos de um grupo quando esclarecido, sempre garantidos pela forja da quarta tradição que lhes assegura o direito de errar e retroceder humildemente na correção dos seus próprios erros. Outra premissa prevista em nossas tradições é o direito de cada grupo se manifestar como individualidade de um todo, portanto, sendo assim, reconhecido como uma entidade espiritual que possui seus próprios recursos morais possíveis e cabíveis para a transmissão da “sua” mensagem. Ou seja, cada grupo é um conjunto vivo, orgânico, dinâmico, próprio em particularidades, e trabalha na atração do enfermiço de sua comunidade. Nunca falaremos em uniformidade, mas sempre em unidade de diferenças e semelhanças. Todo grupo deverá manter-se sempre minimamente organizado (aqui ilustrarei grosseiramente: cuidados com a cafeteira; manutenção de uma chave para abertura do portão nos dias e horários de reuniões; designação de um tesoureiro para o pagamento do aluguel e o repasse evitando o acumulo de dinheiro e etc), de forma que impere um clima de boa vontade e responsabilidade que possibilite um ambiente fraterno e favorável à reabilitação de qualquer alcoólico. Esse é o A.A. de que tanto gostamos!
                Já o Poder Legal, ao contrário, necessita de estrutura amplamente organizada. Defensor e guardião dos nossos princípios perante a sociedade e perante nós mesmos, o Poder Legal não admite suposições. É constituído por membros que se destacaram pela necessária recuperação em seus grupos e uma provável vocação, destituídos (aqui devo abrir um sério parêntese) de personalismo, constrangidos pelo sentimento do dever e da responsabilidade, e, por último, genuína gratidão, resultado motivador de suas intenções anônimas e cooperativas, efeito natural e modificador do caráter, dada a aplicação do método dos doze passos. São reconhecidos por toda a estrutura como seus legítimos representantes, sendo a eles delegados direitos na decisão e nos deveres de suas representatividades. Esses membros são eleitos pela consciência coletiva de um grupo, a princípio no que se refere ao CTO: formam seus comitês e comissões na preservação ou proteção dos seus grupos, o Poder Tradicional, através do qual será mantida a tradição oral e moral na transmissão da mensagem de recuperação neste lugar. Seus componentes serão sacrificados nos seus anonimatos, exceto na imprensa, rádios e filmes; administrarão, discutirão e correrão riscos com o dinheiro, propriedade e prestígio; empreenderão recursos na cooperação ou no apoio às demais situações ou instituições, o que demandará possíveis controvérsias. Enfim, essas são, em parte, obrigações morais, ou talvez vantagens que o Tradicional exige de seus representantes, sempre na tentativa de autopreservar-se, convergindo recursos materiais e humanos para sua manutenção e equilíbrio, e objetivando a coerência dos princípios na relação com o seu público alvo, matéria-prima de toda a nossa Irmandade, que tem as tradições como seu maior patrimônio, o que se confirma em toda sua força na Conferência de Serviços Gerais a cada ano.
                Agora vamos buscar os registros do livro e das diversas obras de nossa Irmandade para sustentação daquilo que acredito que tenha me motivado a escrever estas linhas, que têm como finalidade demostrar a eficiência desta obra e a necessidade de discutir o trabalho das comissões que constituem o CTO como um todo.
                Vamos iniciar a análise por este apelo de Bill W., apresentado logo no primeiro passo do livro – Os Doze Passos e As Doze Tradições, em que ele percebe a necessidade de elevarmos os nossos “fundos do poço”, querendo dizer para que não fossemos tão fundo, iniciativa para alcançar um número significativo de jovens já alcoólicos e potenciais à recuperação, talvez evitando, desta forma, dez ou quinze anos de puro inferno em suas vidas, reconhecendo que a diferença para casos desesperados estava no aspecto progressivo da doença, uma ação lenta e devastadora, determinante em todos os casos e sem nenhuma exceção. Há que se notar aqui um sinal evidente e necessário na atualização e contextualização num curto espaço de tempo para nossas necessidades de progresso, já que nos foi dada como referência para tal necessidade a afirmação constante na primeira edição do livro Alcoólicos Anônimos, em 1939: “... foi publicada quando éramos poucos membros, tratava somente de casos desesperados.”¹
                O segundo ponto, com o qual deveríamos ter bastante cuidado quanto ao caráter das intenções e o posicionamento estabelecido das comissões. Vejamos: seus trabalhos deveriam atender indiretamente ao alcance do alcoólico que ainda sofre, mesmo que estejamos levando a mensagem a pacientes de uma clínica psiquiátrica, e expor os pormenores de uma carreira alcoólica estritamente pessoal, ou nos apresentarmos como verdadeiros troféus de superioridade! É muito melindroso, descortês, constrangedor e pouco eficaz, mesmo porque nunca haverá tempo suficiente para tratarmos com profundidade qualquer assunto. Isso seria atribuição dos grupos. As comissões só teriam oportunidade de lançar as iscas. Portanto, se nos posicionarmos como humildes reprodutores das afirmativas contidas em nossos livros e se nos atermos às generalidades combinadas ao que nós vivenciamos, poderemos obter um ótimo resultado, mesmo não ocorrendo manifestação de desejo algum em prazo imediato. Convide os espectadores a se tornarem um difusor potencial de nossa mensagem a um de seus amigos, torne-os cooperadores, motive-os, esclareça-os, ofereça-lhes os recursos de abordagem. Posso garantir que a identificação só ocorrerá por meio das informações verdadeiras de nossos livros, e não as que eu acredito que sejam verdadeiras, só por que acho que sejam. Precisamos buscá-las!
                Trarei novos trechos dos textos para verificar essa intenção indireta e que confirma que o alcoólico ativo não estará motivado para se decidir na presença de estranhos. É que a carapuça das informações muitas das vezes apenas o aperta, mas não chega a vestir a sua cabeça imediatamente. O capítulo 7 – Trabalhando com os Outros – apresenta uma enxurrada de observações para o “início” de qualquer conversa com um provável membro. Vamos a elas: procure médicos, sacerdotes, padres, ou juízes; não comece como um pregador ou reformista, moralista ou professor; não perca tempo tentado convencê-lo; procure as pessoas mais interessadas, isto é, seus familiares; deixe que a família ou um amigo pergunte se ele quer parar de beber de verdade; nunca tente fazer isso à força, com ansiedades ou tropeços; encontre-se com seu homem a sós, se possível; primeiro converse sobre assuntos gerais, etc. Todas as afirmativas se encontram no início desse capítulo e denotam o quão difícil e delicado é o trabalho de aproximação, exigindo de todos os envolvidos bastante paciência por se tratar de uma pessoa gravemente adoecida. Além disso, há a manifestação de todos os sintomas já conhecidos: negação, controle, justificação, desordem emocional, etc. Todos os seus instintos naturais gritam contra a ideia da impotência pessoal. Já passamos por isso, meus amigos! Ou não?
                Agora, buscaremos para o debate deste artigo os elementos para compor um bom discurso de informações, algo que todos nós poderemos experimentar, pois somente assumiremos o papel de humildes agentes reprodutores das informações pertinentes ao serviço que constam em nosso Livro Grande, se as aliarmos às nossas próprias experiências na tentativa de um maior êxito quanto à captação de futuros prováveis membros.
No início do Livro em questão, reconhecemos a necessidade de nos apresentarmos como alcoólicos recuperados. Na versão em português, em sua folha de rosto vem a inscrição: “A história de como homens e mulheres se recuperaram do Alcoolismo”. No capítulo 2 – Há uma Solução –, logo em seu primeiro parágrafo, surge a afirmação: “Praticamente todos estão recuperados. Resolveram seu problema com a bebida”. Claro que o adjetivo “recuperado” surge de uma escolha individual. Acredito que a recuperação ocorra quando é cessada a obsessão alcoólica e seus vestígios, e, por conseguinte, a compulsão orgânica; fatores esses que, combinados, determinam a doença do alcoolismo; é bem mais além do que normalmente se pensa, a qualidade ou quantidade que se bebe não determina a doença. De maneira alguma a recuperação está relacionada à cura, até porque não existe vacina. Caso houvesse, poderíamos, aí sim, voltar a apreciar uma inofensiva cervejinha sem risco de perda de controle, o que para muitos de nós seria a oitava maravilha! No meu caso, graças a Deus, encontrei uma maneira de viver que realmente me agrada.
                Já temos uma base de informações decisivas que atingiria desde o solicitante do RH de uma grande empresa que nos procura para seus funcionários do canteiro de obras até seu presidente. Falar da doença e de seus sintomas é uma recomendação antiga de um dos nossos maiores colaboradores, Dr. Silkworth. Sua chancela inestimável ao nosso Livro, que considera toda a classe cientifica da época e atual, é verdadeiramente emocionante. Sua sugestão deu um basta nas longas investidas ineficazes de Bill W., que objetivava convencer os inúmeros bêbados através de seu famoso despertar espiritual ocorrido no leito do hospital. Fica aqui outra dica para deixarmos os conceitos teológicos fora das investidas das comissões: falar de Deus ou de nossos conceitos de Poder Superior é altamente arriscado. Será melhor nos abstermos de abordar esse aspecto. Esse assunto é atribuição dos grupos e do método de recuperação, os 12 passos. Não há meios favoráveis de nos concentramos aí, pois sempre nos depararemos com os personagens do capítulo 4 deste livro – Nós, os Agnósticos –, bem como com as descrições do 2º passo do método no livro Os Doze Passos e As Doze Tradições. Preferencialmente, o melhor caminho é atingi-los pelo martelo da razão contida nas informações baseadas pela ciência.
                Esclarecer sobre os fatos concretos relacionados à progressão e incurabilidade, bem como descrever com segurança como se dá a combinação explosiva da obsessão com a compulsão alcoólica, auxiliam no enfrentamento do grande dilema de todo e qualquer alcoólico: o desejo de provar que pode beber como os outros, e que um dia de alguma maneira irá alcançar o controle. São essas informações e experiências, em parte, que representam a grande chance de destruir essa vã ilusão. Se oferecermos tais esclarecimentos com inteligência e habilidade, talvez possamos acender uma chama de esperança para inúmeras famílias que lutam pela recuperação dos seus entes mais amados. Restituir valores ao seio familiar do alcoólico – pois a doença afeta a todos os envolvidos de uma família ou comunidade – é o objetivo do programa de recuperação, só que oferecendo liberdade e força a todos os que desejarem. Da felicidade verdadeira tudo conhecerá.
Meus amigos, é dessa maneira que tento retribuir tudo o que tenho recebido de vocês nestas poucas 24 horas. Graças a vocês e ao método de recuperação e ao programa de A.A., venho descobrindo a escrita como forma de expressão e contribuição à Irmandade que tanto amo. Só assim poderei devolver um pouco do tanto que recebi.


                Não precisamos ser médicos ou profissionais de gabarito para relatar essas informações, somos leigos e isso nos basta. Precisamos apenas desistir de combater o novo. Tudo progride para melhor nesse mundo. Os nossos princípios estão assegurados por Deus. Temos apenas que agir e não mais repetir o velho jargão: “Alcoólicos Anônimos não são para quem precisa, mas para quem quer.” Mas como saberei o que quero, ou o que preciso, se as informações não chegam a mim? Fica aqui uma última responsabilidade e pergunta também.